Voltar aos Centros Ayurveda da família Madukakkury
Este ano fiz o convite à minha Comunidade, a quem subscreve a minha newsletter e nas redes sociais, para virem comigo à Índia, aos Centros Madukkakhuzy, para um retiro Ayurveda. Um grupo de pessoas bonitas juntou-se a mim e estou a escrever depois de ter regressado a Portugal.
A viagem, a experiência de voltar a estar na Índia (nestes Centros em particular), e as melhorias de saúde que ocorreram no grupo de 17 pessoas que me acompanharam, deixaram-me muito emocionada e impactada.
Esta viagem não era sobre irem comigo (eu apenas lhes dei a confiança para embarcarem na experiência), era sim sobre si próprias, sobre aquilo que as levavaa fazer este retiro e sobre as respostas para a sua vida, que iam à procura na viagem à Índia.
Hoje percebo que cada pessoa do grupo fez um investimento na sua saúde a vários níveis, acima de qualquer outra experiência. Um investimento com um grande retorno, como vais ler a seguir.
Rezei muito por este grupo (antes, durante e depois de termos regressado) e foi uma bênção acompanhá-lo.
O que há de diferente nos Centros Madukakkury?

Em 2024 fui a estes Centros com a Isabel Silva (a Belinha DoBem e da TV) e foi uma experiência maravilhosa que descrevi noutro artigo*.

Quando a Diana (Macro Viagens) me fez o convite de levar um grupo a fazer esta experiência, fiquei muito feliz. Sabia que ia levar pessoas a um local onde tudo é cuidado, até ao mais ínfimo pormenor, para proporcionar a manutenção ou recuperação da saúde.
Nos centros, os principais objetivos são tratar as questões de saúde que tragas, levar-te a experimentar as rotinas que potenciam saúde (com ajustes na alimentação, movimento e sono) e impulsionar a adoção destas rotinas quando regressas a casa. Há, tal como na Macrobiótica, o objetivo de que te tornes responsável pela manutenção da tua saúde e mais consciente do impacto das tuas escolhas.
Durante a nossa estadia nos Centros cada pessoa tem:
- acompanhamento médico (com uma consulta diária),
- tratamentos indicados pelo médico para tratar algum problema de saúde (pelo menos dois tratamentos externos e as preparações que tivermos de tomar),
- alimentação ajustada à condição de saúde (três refeições completa e dois snacks),
- locais maravilhosos para estar em contacto com a natureza luxuriante de um clima tropical,
- pessoas que rezam por quem ali está (desde os médicos aos terapeutas, às pessoas que preparam os remédios Ayurveda na farmácia da família e as que cuidam da nossa comida – nada se faz sem rezar primeiro),
- pessoas que cuidam daquilo que é necessário fazer, para que sintamos que tudo está assegurado e não nos precisamos de preocupar com nada,
- acesso a programas (passeios, espetáculos, aulas de Yoga, etc.) organizados por eles.

Estes programas, apesar de nos parecer que têm um custo financeiro alto, supõem um investimento muito abaixo do valor que é entregue. Se quisesses fazer uma experiência idêntica em Portugal com tudo o que descrevi incluído, seria muito mais caro.
Em Portugal não temos nada que se compare. O que se experimenta neste retiro não são simples tratamentos Ayurveda, é um conjunto de ações, tratamentos, remédios e mudanças, num contexto específico, que potencia a reversão de algumas condições e doenças. Por isso, quando me perguntam quem é que aconselho em Portugal para tratar algum problema através da medicina Ayurveda, eu respondo que não conheço nada que possa levar áquilo que se experimenta num programa de 10, 15 ou 21 dias num dos Centros MAdukakkuzhy.
Medicina Ayurveda e Cura
Como disse, as melhorias de saúde que as pessoas do meu grupo experimentaram foram incríveis. Posso dizer que assisti a milagres: melhoria da pressão arterial para valores normais; dores físicas, com mais de dez anos, que desapareceram; mobilidade e dor articular, devido a tendinite, recuperada**; desaparecimento de secura das mucosas (devido a síndrome de Sjogren); dormir bem, quando antes havia um quadro de insónia instalado, perda de 4kg de peso em 8 dias, entre muitos outras melhorias que foram partilhadas comigo, não só a nível físico mas também a nível psicológico e emocional.
Confesso que não estava preparada para estes relatos, porque não sabia que em tão pouco tempo seria possível que o corpo respondesse desta forma e conseguisse reverter problemas com dezenas de anos.

Quando vais fazer este retiro, ninguém te pode prometer que vais recuperar de alguma condição de saúde em tão pouco tempo. Por isso, a minha perplexidade quando, ao fim de poucos dias, começo a ouvir estas partilhas.
Podes, também, fazer o retiro sem teres nenhum problema de saúde e, ainda assim, sentir inúmeros benefícios (foi o meu caso). As pessoas riem-se quando eu digo que vim com mais alguns centímetros de altura, mas, possivelmente devido à descompressão que os tratamentos fazem na coluna chego a locais onde antes não chegava nem em bicos dos pés.
Todos regressámos com os rostos iluminados por tantos cuidado e amor que nos foi entregue, e com mais energia pelo descanso físico, emocional e mental que é proporcionado nos Centros Madukakkuzhy.
Várias pessoas do grupo disseram que querem voltar no próximo ano, e eu sinto quase como um compromisso de levar mais pessoas a um local onde sei que farão tudo para as ajudar a ultrapassarem problemas de saúde e a implementarem rotinas que promovam a manutenção da mesma quando regressam a casa. Deus me dê saúde e possibilidades de o fazer.
Macrobiótica e Ayurveda
Uma das perguntas que mais me fazem é sobre se a Ayurveda não contradiz a Macrobiótica. Quem fez comigo esta viagem percebeu que as recomendações de estilo de vida da Ayurveda coincidem com as da Macrobiótica e, se a Macrobiótica fosse adaptada ao Estado de Kerala (onde se produzem frutas tropicais e muitas das especiarias que se usam na Índia e no mundo), talvez recomendasse exatamente a tradição alimentar que ali se mantém.
Na Medicina Ayurveda, a medicina tradicional indiana, o modelo utilizado para fazer diagnóstico é muito diferente da Macrobiótica. Utilizam-se os Doshas, que são três forças ou energias vitais (Vata, Pitta e Kapha) que governam o funcionamento físico, mental e emocional do corpo humano. Eles derivam da combinação dos cinco elementos (éter, ar, fogo, água e terra) e definem a constituição única de cada indivíduo. Normalmente cada pessoa tem um Dosha dominante e convém que este esteja em equilíbrio.
Na Macrobiótica o modelo utilizado no diagnóstico e compreensão do Universo vai beber à Medicina Tradicional Chinesa, e para ajudar a ultrapassar problemas de saúde também se faz o diagnóstico energético de cada pessoa. Considera-se a energia Yin e Yang de cada fenómeno, que depois se materializa nas 5 Transformações ou estágios energéticos.
No entanto, a Medicina Ayurveda é milenar, há registos escritos com mais de 2000 anos, mas pensa-se que na tradição oral terá cerca de 3000 anos. A utilização de fitoterapia, tratamentos externos e internos foi preservada e a riqueza de conhecimento é incomparável.
Para se ser médico Ayurveda é necessário completar uma formação de 5 anos e meio, que integra estudos universitários e estágios obrigatórios em hospitais. E quem quiser especializar-se tem de realizar uma pós-graduação que acrescenta mais 3 anos de estudo intensivo e prática clínica hospitalar.
Depois de visitar a farmácia da família Madukakkurhy, percebi que os remédios que eles produzem ainda mantêm o conhecimento ancestral. Trabalham as plantas, as suas raízes, caules, resinas, frutos, etc., até obterem os produtos utilizados nos tratamentos internos e externos. Fiquei fascinada pela produção meticulosa de cada preparação.
Uma curiosidade: temos um médico português, Garcia de Orta, que passou mais de 30 anos na Índia a estudar Medicina Ayurveda e o seu trabalho foi reconhecido como tendo influenciado profundamente a farmacologia moderna e a medicina tropical ao substituir o saber dogmático clássico pela observação empírica direta, tornando-se o elo científico entre a medicina europeia e os saberes terapêuticos asiáticos. Se tiveres curiosidade procura livros sobre a vida de Garcia de Orta, vais ficar surpereendido(a).
Fé viva

Não podia deixar de incluir nas experiências desta viagem, a Fé que observei na população de Kerala e, em particular, na família Madukakkuzhy.
A Índia é um país muito grande e, por isso, a diversidade religiosa, cultural, de clima, social, etc. é imensa.
O Estado de Kerala, onde se situam os Centros Madukkakuzhy e muitos outros centros de Ayurveda, tem uma forte tradição cristã, levada inicialmente pelo apóstolo São Tomé no século I, e mais tarde cimentada pelo catolicismo dos missionários europeus que chegaram ao sul da Índia de barco. Claro que a presença da religião Hindu e Muçulmana, também se faz sentir, num convívio religioso pacífico muito bonito.
Durante um passeio a pé, passámos por um Seminário, onde estudam os futuros sacerdotes e onde vivem alguns Missionários. O guia que nos acompanhou neste passeio, contou que há uma grande estima pelos Missionários, porque foi devido à sua presença, que o Estado de Kerala se desenvolveu e tem o maior nível de alfabetização, mais cultura, mais higiene, mais saúde pública, menor mortalidade materna e infantil, entre outros índices que mostram mais segurança, riqueza e desenvolvimento.
A quantidade de Igrejas, capelas, crucifixos que vemos quando andamos de carro impressionou-me. A Fé viva que existe entre os indianos católicos que conheci, o ver uma Igreja completamente cheia para uma Missa celebrada às 5h40 da manhã, a oração sempre presente nos Centros Madukakkurhy, questionam quem vem de países de matriz cristã e onde esta Fé é muito menos celebrada e visível.
Acredito que as outras expressões religiosas (Hindu e Muçulmana) na Índia também sejam vivida com intensidade, mas em Kerala o mais surpreendente foi ver o cristianismo tão presente nas atividades e espaços, e praticada em todos os momentos do dia.
Se fores um dia comigo à Índia, ao Centro Homestay, vais poder rezar o terço com a família Madukakkuzhy, numa pequena capela cheia de referências à Nossa Senhora de Fátima. Estamos tão longe e, simultaneamente, sentimos que estamos tão perto de casa.
Nesta viagem, nestes Centros em particular, experimentamos a linguagem do amor, que está sempre presente em cada tratamento, em cada refeição, em cada sorriso. Somos tão bem-vindos que só nos apetece lá ficar mais tempo ou trazer as pessoas connosco.
Eu trouxe todas as pessoas com quem estive e trago todas as pessoas que levei comigo nesta viagem no coração. Agradeço a confiança da Diana (Macro Viagens) que me fez o convite para levar este grupo e me permitiu viver o que escrevi neste artigo.
Deixo-te um link onde podes manifestar, sem compromisso, o teu interesse em ir num grupo comigo no próximo ano. Como existe um número limite de pessoas que posso levar, esta manifestação de interesse vai permitir informar-te primeiro, assim que o programa esteja definido.
* link para o artigo do ano passado https://milgraos.com/india/
** link para o testemunho do Hélder no IG: https://www.instagram.com/p/DZ-T67zhfJp/



4 Responses
Fui o ano passado e foi maravilhoso
Olá Maria
Que bom.
Um beijinho
Dulce
Tenho interesse nas informações de Mil Grãos.Abraço.
Olá Guida.
Claro que sim, obrigada. Basta continuar a ser assinante da minha newsletter.
Um beijinho
Dulce