Impacto da Alimentação Macrobiótica na Diabetes Mellitus Tipo 2

Índice

Sabia que a alimentação macrobiótica é reconhecida pela comunidade médica como sendo efetiva quer na prevenção quer no tratamento da Diabetes tipo 2? E que poderá melhorar muito a qualidade de vida e capacidade de lidar com a doença nos portadores de Diabetes Tipo 1? Neste artigo partilho algumas estratégias que podem ajudar a lidar com esta doença que tem vindo a aumentar de forma alarmante em todo o mundo.

Diabetes em Portugal e no Mundo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que no mundo 347 milhões de pessoas têm Diabetes e estima que em 2030 ela seja a sétima causa de morte. Os casos de DM Tipo 2 não param de aumentar. Atingem populações cada vez mais jovens e a mais recente crise de saúde mundial, com a sobrecarga nos Sistemas de Saúde e o confinamento, vieram piorar esta realidade.

O que é a Diabetes?

Segundo a OMS, a DM (Diabetes Mellitus) é uma doença metabólica crónica e progressiva, que se caracteriza por níveis elevados de açúcar (glicose) no sangue. Ocorre quando o pâncreas não produz insulina (hormona que regula a glicose sanguínea) ou quando não consegue utilizar eficazmente a insulina que produz. Esta situação leva ao aumento da glicose no sangue (hiperglicemia) que, a longo prazo, pode provocar complicações no organismo, aumentando o risco de morte prematura.

A Diabetes pode assumir várias formas, sendo as mais comuns: Diabetes Tipo 1, Diabetes Tipo 2 e Diabetes Gestacional.

O tipo de DM mais comum é a do Tipo 2. O seu aparecimento é devido sobretudo a hábitos de vida considerados menos saudáveis, tais como: alimentação desequilibrada, sedentarismo e excesso de peso.

Como diagnosticar a Diabetes?

No website da Direção Geral de Saúde (DGS) pode consultar a Norma[i] utilizada para fazer o diagnóstico de cada uma das formas de DM citada.

De uma forma geral, os principais sintomas poderão ser:

  • Sensação de sede excessiva (boca seca).
  • Necessidade de urinar com muita frequência (poliúria).
  • Cansaço e falta de energia.
  • Perda de peso.
  • Fome excessiva ou constante.
  • Visão turva.
  • Cicatrização de tecidos lenta.
  • Infeções frequentes.
  • Mau hálito.

Abordagem da medicina moderna à Diabetes

Em fases da doença em que seja necessária uma abordagem farmacológica ao problema, existe uma Norma[ii] que indica a Metformina como sendo o fármaco de eleição, principalmente para pessoas com obesidade ou sobrecarga ponderal.

Nessa mesma Norma, é referido que também são importantes alterações de estilo de vida, passo a citar: “As medidas de modificação de estilos de vida, de controlo ponderal e de atividade física são estruturantes e centrais na prevenção e tratamento da diabetes tipo 2(…). As mudanças de estilo de vida, o diagnóstico precoce e o início programado da terapêutica farmacológica, numa fase precoce das alterações metabólicas da diabetes, parecem ser a forma mais eficaz de minorar o desenvolvimento, a médio e longo prazo, das complicações da doença. A intervenção terapêutica na diabetes tem como objetivos a ausência de sintomas de descompensação aguda, a diminuição de complicações tardias micro e macrovasculares e a melhoria ou manutenção da qualidade de vida.

Impacto da Dieta Macrobiótica na Diabetes Tipo 2

Um estudo[iii] publicado em 2014 na revista Diabetes/Metabolism Research and Reviews indica que a Alimentação Macrobiótica, em apenas 21 dias, reduziu significativamente valores de glicemia capilar em jejum (-39,6%), colesterol LDL (-26.9%), triglicéridos (-41,7%) e teve também impacto na percentagem de massa gorda (-5,4%), entre outros parâmetros descritos na Tabela 1.

Tabela 1 – Análise estatística de resultados (média dos participantes no estudoiv).

ParâmetroMédia inicialMédia após 21 dias de Ma-PiVariação (%)
Glicemia (mmol/L)9,06,1−32,2
Glicemia capilar em jejum (mmol/L)9,65,8−39,6
Glicemia capilar após 2h de tomar o pequeno-almoço (mmol/L)11,86,3−46,6
Glicemia capilar após 2h de tomar o almoço (mmol/L)11,06,3−42,7
Colesterol total (mmol/L)5,364,11−23,3
Colesterol HDL (mmol/L)1,131,12−0,9
Colesterol LDL (mmol/L)3,342,44−26,9
Triglicerídeos (mmol/L)2,181,27−41,7
Ureia (mmol/L)6,84,3−36,8
PH da urina5,46,113,0
Pressão arterial sistólica (mmHg)129119−7,8
Pressão arterial diastólica (mmHg)7873−6,4
Peso (kg)75,172,5−3,5
Gordura Corporal (%)33,531,7−5,4

Noutro estudo[iv] que teve como objetivo perceber o impacto da Dieta Macrobiótica 100% de origem vegetal, baseada em cereais integrais, leguminosas e vegetais, quando seguida por 6 meses, os participantes iniciaram a dieta com valores de hemoglobina glicada de 12,6% tendo baixado esses valores para 5,7%, conseguindo eliminar as injeções de insulina, como se pode ver na Tabela 2. Todos os participantes deixaram de ter Diabetes em apenas 6 meses, deixando de necessitar de qualquer tipo de medicação para controlar a glicose no sangue.

Tabela 2 – Análise estatística de resultados (média dos participantes no estudov).

ParâmetroMédia inicialMédia após 6 meses de Ma-PiVariação (%)
Glicemia (mmol/L)12,554,7−63,8
Hemoglobina Glicada (HbA1)125,73−54,5

Ao contrário de outras abordagens, para a gestão da Diabetes Tipo 2, que têm como base uma redução significativa de hidratos de carbono na alimentação, neste estudo a dieta seguida consistiu em 72% de energia proveniente de hidratos de carbono complexos, 16% de gordura e 12% de proteína.

Os resultados destes estudos mostram o impacto de uma alimentação macrobiótica não só na Glicemia, diretamente ligada à Diabetes Tipo 2, mas também noutros parâmetros de avaliação importantes, não diretamente ligados à Diabetes, mas igualmente indicativos de sobrecarga do organismo, como colesterol LDL, Triglicerídeos, Pressão Arterial, Ureia e Gordura Corporal.

Abordagem Macrobiótica à Diabetes Tipo 2

Os artigos referidos na secção anterior comprovam que um regime alimentar seguindo os princípios da Macrobiótica é eficaz no tratamento da Diabetes Tipo 2. No entanto, para além das alterações alimentares, é importante juntar à alimentação novos hábitos de vida que irão contribuir para reverter esta condição de forma mais rápida e duradoura. Falarei sobre eles nesta secção.

Alerto para que estas recomendações não devem implementadas sem o acompanhamento de um consultor macrobiótico, para adequar as recomendações à situação individual do paciente, e também do(s) profissional(ais) de saúde que o(a) têm seguido no processo de controle da doença.

Alimentação

No caso das alterações alimentares, de uma forma geral recomenda-se que a alimentação tenha por base:

  • Cereais integrais em grão: arroz integral de grão redondo, milho painço (millet), trigo sarraceno, cevada, centeio, espelta, quinoa, amaranto.
  • Vegetais, principalmente os redondos como a abóbora, cebola, lombardo, couve-flor; raízes: nabo, cenoura, pastinaca, bardana; ramas e folhas: de nabo, de beterraba, nabiças, couves de todo o tipo, agrião, rúcula, etc.
  • Leguminosas: feijão, lentilhas, grão-de-bico, favas, ervilhas, tremoço, etc., e todos os derivados (tempeh, tofu, natto).
  • Fermentados de boa qualidade como miso, ameixa umboshi, pickles naturais e chucrute.
  • Sementes (sésamo tostado ou gomásio)
  • Algas e condimentos (sal marinho integral, molho de soja).
  • Fruta da época com moderação.

Açúcar e outros adoçantes (mesmo os naturais, como geleia de arroz, agave, mel, xarope de ácer) deverão ser eliminados, assim como as farinhas. O pão, se consumir pão, deverá ser de levedação natural e lenta (com massa-mãe), e feito, de preferência, com farinha integral.

Recomenda-se a redução ou a eliminação do consumo de carne e peixe (este último apenas temporariamente). Recomenda-se também a eliminação de todo o tipo de laticínios (leite, iogurte, manteiga, queijo, natas, …) e de bebidas alcoólicas.

Outras recomendações

A atividade física tem impactos positivos diretos no controle da Diabetes Tipo 2, uma vez que melhora o controlo da glicose no sangue. Deve ser adequada à idade, peso e eventual existência de outras comorbilidades. Se possível, começar por fazer caminhadas de pelo menos 30’ em passo acelerado, ou ao ritmo possível, e complementar posteriormente com exercícios mais intensos quer a nível cardiovascular, quer a nível de exigência muscular.

Recomendam-se também práticas meditativas que ajudem a reduzir a ansiedade, cuidado especial com o sono (tempo e qualidade do mesmo), contacto com a natureza, evitar banhos quentes e prolongados, almoçar até às 13h, mastigar cuidadosamente os alimentos e comer sempre sentado.

Havendo uma evidência tão grande de que uma alimentação macrobiótica é capaz de reverter a Diabetes Tipo 2, estas recomendações poderiam evitar os problemas causados pela doença e reduzir significativamente o número de mortes devido a esta doença crónica.


[i] https://normas.dgs.min-saude.pt/2011/01/14/diagnostico-e-classificacao-da-diabetes-mellitus/

[ii] https://ordemdosmedicos.pt/wp-content/uploads/2017/09/1_2011_Terapeutica_de_Diabetes_Mellitus_tipo_2__metformina.pdf

[iii] Porrata-Maury, C., Hernández-Triana, M., Ruiz-Álvarez, V., Díaz-Sánchez, M.E., Fallucca, F., Bin, W., Baba-Abubakari, B. and Pianesi, M. (2014), Ma-Pi 2 macrobiotic diet and type 2 diabetes mellitus: pooled analysis of short-term intervention studies. Diabetes Metab Res Rev, 30: 55-66. https://doi.org/10.1002/dmrr.2519

[iv] Porrata C, Sánchez J, Correa V, Abuín A, Hernández-Triana M, Dacosta-Calheiros RV, Díaz ME, Mirabal M, Cabrera E, Campa C, Pianesi M. Ma-pi 2 macrobiotic diet intervention in adults with type 2 diabetes mellitus. MEDICC Rev. 2009 Oct;11(4):29-35. doi: 10.37757/MR2009V11.N4.8. PMID: 21483296.

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Dulce

Com formações e experiência nas áreas da Macrobiótica e no Mindfulness, desenvolvi o projeto Mil Grãos, onde o foco é oferecer-lhe informações, conhecimento, prática e experiências para uma vida mais Humana, Ecológica e Espiritual.

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